A ética social da gestão em saúde insiste hoje mais do que nunca na
necessidade de fortalecer o conceito de excelência profissional para além do
domínio da disciplina científica; isso requer gestores e profissionais de saúde
que cultivem e exerçam a excelência em seu desenvolvimento como pessoas
íntegras. Requer também clínicas médicas com equipes que ultrapassem a
perspectiva tradicional de paternalismo implícita na clássica “caridade”,
reconhecendo no paciente direitos que emergem de sua condição humana e os
deveres de pessoas dotadas de liberdade, responsabilidade e autonomia. Mas,
além de tudo isso, hoje a busca pela excelência exige a gestão eficiente dos
recursos: uma gestão produtiva, justa ou equitativa deles.
Alcançar o justo equilíbrio dos citados é o maior desafio da atualidade. Não é
fácil, mas terá de ser alcançado; requer um esforço sistematizado que, além de
unir a clínica à gestão, responda às múltiplas demandas tendendo a reorientar o
papel da atenção especializada em um modelo mais centrado na saúde das
pessoas do que na doença.
formigamentos nas pernas
Este desafio de conciliar a autonomia dos profissionais clínicos com uma
capacidade efetiva de autorregulação para atingir metas nas áreas de
efetividade em saúde, eficiência econômica, qualidade técnica e percebida e
satisfação do usuário, são os aspectos fundamentais da ética da gestão
hospitalar. novo milênio. Experiências com sentimento de fracasso diante de
múltiplas tentativas de envolver os clínicos na gestão, nos leva a supor que talvez
o propósito e a forma de realizar tenham sido errados. Acreditamos ser
necessário insistir novamente na criação de “pontos de encontro” (áreas de
interesse comum) entre clínicos e gestores, que aliem eficácia clínica e qualidade
técnica (no interesse do clínico) com eficiência administrativa e de custos ( no
interesse do gestor), sem perder de vista o interesse principal: o da comunidade
de usuários.