Checklist: quais documentos exigem atenção redobrada antes do sinal

Written by

in

Cobertura à venda de Vitória

A euforia de encontrar o imóvel ideal costuma atropelar a cautela necessária antes da assinatura do contrato de sinal. Muitos compradores acreditam que a análise documental profunda é uma tarefa reservada exclusivamente para o momento da escritura, mas essa percepção é um equívoco que pode gerar dores de cabeça evitáveis. O sinal, ou arras, vincula as partes e, em caso de desistência imotivada, pode implicar perdas financeiras significativas.

O documento mais importante de qualquer negociação é a matrícula do imóvel. Ela funciona como o histórico de vida da propriedade. Não aceite cópias antigas; solicite uma certidão de inteiro teor com ônus e ações reais e pessoais reipersecutórias emitida nos últimos trinta dias. O objetivo aqui é verificar se a descrição do imóvel no papel corresponde exatamente ao que está sendo negociado e se existem gravames, como hipotecas ou alienações, que ainda não foram baixados.

Muitas vezes, a preocupação recai apenas sobre o imóvel, esquecendo-se da figura de quem vende. A existência de processos judiciais contra os proprietários pode representar um risco, especialmente se houver risco de fraude à execução ou à credores. Se o vendedor estiver sendo processado e o imóvel for seu único bem capaz de saldar uma dívida, a venda pode ser anulada futuramente pela justiça. Por isso, as certidões de distribuidores cíveis, criminais e trabalhistas são peças-chave.

Pendências financeiras atreladas ao bem, como dívidas de IPTU ou taxas condominiais em atraso, são passíveis de transferência de responsabilidade se não forem devidamente quitadas ou abatidas no preço final. É fundamental exigir:

Um imóvel pode ter a matrícula impecável, mas possuir uma construção irregular na prefeitura. Áreas construídas não averbadas ou alterações estruturais que desrespeitam o código de obras local podem impedir o financiamento bancário e gerar multas. Compare o que está descrito na prefeitura com a realidade física. Se o imóvel passou por reformas grandes, como fechamento de varandas ou ampliação de cômodos, verifique se houve o devido habite-se para essas alterações.

É comum que o proprietário não assine pessoalmente o contrato. Se a venda for conduzida por um representante, a procuração é o documento que deve ser auditado com lupa. Verifique se o instrumento possui poderes específicos para a venda de imóveis, se foi lavrado em cartório e se ainda está vigente. Uma procuração vencida ou com poderes genéricos, que não especifique o imóvel em questão, pode invalidar toda a transação desde o início.

A verificação minuciosa desses itens antes de depositar qualquer valor assegura que o sinal seja apenas o primeiro passo para a entrega das chaves, e não um compromisso firmado sobre bases instáveis. A atenção redobrada aos documentos é, em última análise, a garantia de que o imóvel adquirido possui a segurança jurídica necessária para um usufruto tranquilo.