A data da virada para um mundo (no qual nos encontramos hoje) onde a escrita domina e onde a leitura se faz silenciosamente, muda radicalmente de acordo com os autores.
A oralidade não foi apenas por muito tempo o único modo de expressão nas sociedades primitivas, mas também dominou a história literária. Da teoria da oralidade nos épicos de Homero, à chanson de geste na Idade Média, passando para Alberto Manguel, a leitura silenciosa (“para si”) nem sempre existiu, mas surgiu no século V, enquanto Christian Vandendorpe confirma que, segundo os historiadores da leitura, só a partir do século XII é que os livros foram verdadeiramente concebidos com vista à leitura silenciosa e que, aliás, “levou tempo: até meados do século XX, a escola destinava-se prioritariamente a incutir na criança um mecanismo de leitura em voz alta.
Na década de 1930, o filólogo americano Milman Parry desenvolveu uma teoria segundo a qual os épicos de Homero teriam sido elaborados no âmbito de uma tradição oral: os bardos teriam improvisado os versos de seus poemas diretamente diante de seu público, sem qualquer uso da escrita.
Esta teoria é essencialmente baseada na descoberta por Milman Parry de “fórmulas epitéticas” em Homero que teriam permitido que os bardos terminassem seus versos. Ubook dom casmurro audiolivro